sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carta de Luciana Genro

(Carta de Luciana Genro ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, que entrevistou o prefeito eleito de Macapá e que é do PSOL).
Prezado Fernando Rodrigues, Gostaria de fazer algumas considerações sobre a entrevista que o prefeito eleito Clécio Luís lhe concedeu no programa Poder e Política. Antes de mais nada registro minha avaliação de que o PSOL obteve uma grande vitória política e eleitoral. Nosso partido está ligado ao povo para poder cumprir seu dever de impulsionar as lutas sociais pelas demandas necessárias para melhorar a vida. Num momento em que o capitalismo encontra-se em crise e despejando sobre os trabalhadores, jovens e aposentados o peso desta crise, é decisivo avançar na mesma direção pela qual fundamos o PSOL: organizar um partido por uma nova política, conectada com as lutas anticapitalistas, independente, democrático e socialista. Mas sempre que um partido aumenta seu peso social as pressões sobre seu rumo político aumentam. Até a classe dominante tenta incidir nas definições de sua linha estratégica. Com o crescimento do peso do PSOL, os debates sobre os rumos do partido tendem a ser tornar públicos. Vou aqui fazer um contraponto ao Prefeito Clécio porque considero que suas posições são bem minoritárias no partido. E seria muito ruim que posições minoritárias erradas apareçam como se fossem do PSOL. Não digo que foi esta a intenção do companheiro, mas se a mesma não tem um contraponto pode parecer assim. Sobre a política de alianças do PSOL, o prefeito eleito diz que é “daqueles que defende que o PSOL deve ter uma política de reaproximação com o PC do B, com o próprio PPS, com o PV, com o PT”. Em seguida, em relação ao financiamento das campanhas, Clécio diz que a sua posição é de que “ nós podemos aceitar, sim, o financiamento, na atual conjuntura, de empresas e bancos”. Ao final, perguntado sobre uma avaliação do governo Dilma, Clécio limita-se a dizer que é uma continuidade de Lula, e mesmo diante da insistência do repórter nega-se a fazer um juízo sobre a qualidade do governo. As três questões estão interligadas. É claro que o Prefeito tem todo o direito de propor mudanças no Estatuto e no Programa do PSOL. Mas afirmo, e tenho certeza que falo em nome da maioria da militância do PSOL , estas mudanças não passarão. Não passarão porque nós, que fundamos o PSOL, rompemos com o PT justamente por que este partido abandonou a defesa dos interesses dos trabalhadores. A reforma da previdência, cujo voto contra foi o estopim da nossa expulsão (minha, de Heloísa Helena, Babá e João Fontes), foi o ápice desta mutação do PT, que se transformou em um agente dos interesses do capital. O interesse dos bancos e empreiteiras em financiar o PT não aconteceu por acaso. Deu- se justamente por que o partido, ao ocupar prefeituras e governos estaduais, iniciou este processo de mudança de lado, consolidado ao chegar no governo federal. Esta é a definição necessária, que Clécio não fez na sua entrevista. Não rompemos com o PT para repetir o mesmo caminho. Por isso não aceitaremos alianças indiscriminadas com os partidos do governo Dilma, que são hoje os gerentes dos negócios do capitalismo brasileiro. Também não apresentaremos inimigos de classe como grandes aliados, como fizeram Clécio e o Senador Randolfe ao receber o apoio do líder do DEM em Macapá. Bom exemplo dá o prefeito do PSOL eleito em Itaocara, RJ. Gelsimar Gonzaga anunciou que reduzirá o próprio salário, cortará cargos de confiança e garantirá a participação do povo em seu governo através de Conselhos Populares. A campanha do PSOL no Rio de Janeiro, onde chegamos a 30% dos votos, sem alianças espúrias e sem financiamento de empreiteiras e bancos , mostra que é possível sim uma disputa real pelo poder nas capitais sem mudar de lado. Nossa atividade eleitoral – campanhas e eventuais vitórias - devem servir para que o PSOL demonstre o sentido da sua existência. Este sentido só é dado pela nossa prática de negação da velha política e pela construção de uma alternativa política e eleitoral que responda aos interesses da maioria do povo. Esta é a grande tarefa colocada para o PSOL, ainda mais desafiadora agora que conquistamos duas prefeituras. De minha parte aposto sempre que a influência da juventude combativa e dos trabalhadores em luta tenham peso cada vez maior nas definições estratégicas de nosso partido. Por isso sempre convido a todos estes para que participem dos comitês, núcleos e plenárias do partido, que tomem o PSOL para si, pois a participação ativa da militância é que pode assegurar um partido cada vez mais conectado com a luta anticapitalista. Grata pela atenção, Luciana Genro.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

SONHOS QUE VÃO SENDO CONSTRUÍDOS Aluizio Vidal – Presidente Regional do PSOL
Sempre gostei da idéia de que precisamos agir para que os sonhos se transformem em realidades. Nessa eleição mais uma vez pude perceber que essa é uma proposta absolutamente factível. Sou de uma geração que sonhou em questionar o grande sistema manipulador, mas que com o tempo se transformou nele. Alcançou alguns objetivos, porém se encantou e perdeu as forças do questionamento. Precisou, então, ser alvo do questionamento e sempre é assim mesmo. Agora, não quero ser como “os mesmos” e viver “como nossos pais”. A nova consciência tem de ser resgatada a todo instante e não acontecerá se nos submetermos ao joguinho medíocre que gera o vil metal e nos mete no conforto de nossas casas e nos transforma em insensíveis à dor dos menos oportunizados e que foram empobrecidos por aqueles que criticamos. Ver jovens encantados com o externo, com o visível, com o estético, sem perceber que a beleza é invisível aos olhos e que o ético é superior ao estético é muito triste, mas é desafiador. Então, observar jovens animados em fazer o contrário é encantador. Ergamo-nos povo bom, questionemos, demo-nos as mãos e “insubmetamo-nos” a esse sistema que compra votos com propagandas faraônicas, promessas falaciosas ou abraços e sorrisos hipócritas. Mais do que agradecer, quero parabenizar as mais de 12 mil pessoas que votaram no PSOL através dos nomes de Aluizio Vidal e Prof Marto. Foi uma forma de dizer: não somos objetos de manobra. Mesmo quem votou por deferência pessoal, por fé ou por protesto, parabéns, pois fomos capazes de dizer que amamos mais a simplicidade, a autenticidade e a verdade em relação à opulência, a incongruência e a mentira. Daqui a alguns dias “vou convidar meus irmãos trabalhadores, operários, lavradores, biscateiros e outros mais, e, juntos, vamos, celebrar a confiança, nossa luta, na esperança, de ter terra, pão e paz” (Zé Vicente); convidar estudantes, donas de casa, enfim, quem quiser alimentar esperanças e construir sonhos que sentemos juntos para continuar o processo, não um processo de construção de um nome, mas de continuação de uma idéia. Muito obrigado a todas as pessoas que contribuíram nessa campanha tão bonita e ousaram em pensar diferente votando diferente.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Parabéns e Responsabilidade a Todos Nós

PARABÉNS E RESPONSABILIDADE A TODOS NÓS
(Aluizio Vidal, pastor presbiteriano, professor e psicólogo)
Há dois momentos muito importantes em nossa vida que nos tornam mais sensíveis a quem somos e como vivemos. O primeiro é quando participamos do velório de alguém querido ou querida. Nesse instante percebemos o quanto somos limitados e quanto a vida é efêmera e fugidia. O segundo é o aniversário, pois ao mesmo tempo em que percebemos nossos potenciais e nossa alegria, percebemos também o quanto somos frágeis, pois só nós mesmos vemos a entranha de nosso coração e, então, temos noção do quanto precisa ser mudado.
Hoje Rondônia faz mais um aniversário e precisamos celebrar intensamente todas as vitórias alcançadas, até porque foram à duras penas, sob o esforço de heróis e heroínas que se doaram e continuam se doando ao Estado, gente que aqui nasceu e gente que veio de fora. Esse esforço e heroísmo nos animam a olhar para o futuro e acreditar que Rondônia pode ser cada vez mais um Estado pujante sem ser destruidor, desenvolvido sem ser subalterno do modelo de desenvolvimento neoliberal que tem destruído o mundo, e influente na realidade brasileira de forma inclusiva sem deixar de receber influência de todos os grupos que aqui vivem.
Portanto, parabéns a quem vive, sonha e trabalha para construir esse Estado dos sonhos dourados.
Contudo, a festa não pode entorpecer-nos, fechar os nossos olhos e tirar nossas capacidades críticas, assim como fazem as paixões. Nosso Estado poderia ser muito melhor não fossem os cupins políticos que corroem nossas estruturas, agora de maneira visível, às claras, explícita. Temos sido conhecidos nos outros Estados pela capacidade de eleger gente desonesta, vagabunda e sem o mínimo respeito por quem trabalha e constrói de forma digna aquilo que comemoramos hoje.
Corrupção não pode ser nossa marca, pois não é a nossa marca. Essa é a marca de poucas pessoas que assumiram o poder em suas diversas esferas e que precisam ser defenestradas desses ambientes. Nossa marca é o amor pela terra e pela cultura nortista, a coragem de empreender longe de nossos lugares de origem e a disposição de ser uma nova geração que ama sua terra e quer construir um espaço digno e de igualdade a todos e todas.
Parabéns Rondônia. Somos o que construímos e seremos o que queremos construir, mas isso só será possível se tivermos a coragem de olhar para dentro e encarar não apenas nossos heróis e nossas heroínas para dar-lhes o reconhecimento que merecem, mas também de encarar nossos cânceres de corrupção e de “anti-vida” que nos corroem para tratarmos de forma pesada, ainda que seja ao alto preço de cortarmos a própria carne.
Caminhemos plantando vida de qualidade e celebrando aniversários antes que cheguem mais velórios.

domingo, 20 de novembro de 2011

Assassinatos a Indígenas Continuam Comuns

Carta de protesto escrita por estudantes Guarani e Kaiowá, dos cursos de Ciências Sociais e História e moradores da aldeia de Amambaí contra o assassinato de mais uma liderança indígena e publicada publicada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa das Populações Indígenas - NEPPI - da Universidade Católica Dom Bosco - UCDB, de Campo Grande, MS, 19-11-2011.

"Por volta das seis horas chegaram os pistoleiros. Os homens entraram em fila já chamando pelo Nísio. Eles falavam segura o Nísio, segura o Nísio. Quando Nísio é visto, recebe o primeiro tiro na garganta e com isso seu corpo começou tremer. Em seguida levou mais um tiro no peito e na perna. O neto pequeno de Nísio viu o avô no chão e correu para agarrar o avô. Com isso um pistoleiro veio e começou a bater no rosto de Nísio com a arma. Mais duas pessoas foram assassinadas. Alguns outros receberam tiros mas sobreviveram. Atiraram com balas de borracha também. As pessoas gritavam e corriam de um lado para o outro tentando fugir e se esconder no mato. As pessoas se jogavam de um barranco que tem no acampamento. Um rapaz que foi atingido por um tiro de borracha se jogou no barranco e quebrou a perna. Ele não conseguiu fugir junto com os outros então tiveram que esconder ele embaixo de galhos de árvore para que ele não fosse morto.Outro rapaz se escondeu em cima de uma árvore e foi ele que me ligou para me contar o que tinha acontecido. Ele contou logo em seguida. Ele ligou chorando muito. Ele contou que chutaram o corpo de Nísio para ver se ele estava morto e ainda deram mais um tiro para garantir que a liderança estava morta. Ergueram o corpo dele e jogaram na caçamba da caminhonete levando o corpo dele embora.Nós estamos aqui reunidos para pedir união e justiça neste momento.

Afinal, o que é o índio para a sociedade brasileira? Vemos hoje os direitos humanos, a defesa do meio ambiente, dos animais. Mas e as populações indígenas, como vem sendo tratadas? As pessoas que fizeram isso conhecem as leis, sabem de direitos, sabem como deve ser feita a demarcação da terra indígena, sabem que isso é feito na justiça. Então porque eles fazem isso? Eles estão acima da lei? O estado do Mato Grosso do Sul é um dos últimos estados do Brasil mas é o primeiro em violência contra os povos indígenas. É o estado que mais mata a população indígena. Parece que o nazismo está presente aqui. Parece que o Mato Grosso do Sul se tornou um campo de fuzilamento dos povos indígenas. Prova disso é a execução do Nísio. Quando não matam assim matam por atropelamento. Nós podemos dizer que o estado, os políticos e a sociedade são cúmplices dessa violência quando eles não falam nada, quando não fazem nada para isso mudar. Os índios se tornaram os novos judeus. E onde estão nossos direitos, os direitos humanos, a própria constituição? E nós estamos aí sujeito a essa violência. Os índios vivem com medo, medo de morrer. Mas isso não aquieta a luta pela demarcação das terras indígenas. Porque Ñandejara está do lado do bom e com certeza quem faz a justiça final é ele. Se a justiça da terra não funcionar a justiça de deus vai funcionar."

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A SOCIEDADE RONDONIENSE E A GREVE DA UNIR


A Universidade Pública é um desses espaços em que a sociedade brasileira mais se faz representar. Ali estudamos, estudam nossos filhos/filhas e estudarão nossos netos/netas. Ali se produz reflexão intelectual e se preparam nossos dirigentes. Ali se produz capacidade de criticar e de se posicionar, enfim, ali se constrói a qualidade futura de nosso país.
Uma pena que poucas pessoas da sociedade rondoniense tiveram a oportunidade de ir ao Campus nos últimos meses e ver a situação caótica de sujeira e abandono que ali havia. Ninguém de nós teria coragem de levar um visitante de nosso Estado para apresentar aquele como sendo o centro de tudo o que uma Universidade ensina; uma pena que poucos conversaram com discentes dos cursos mais novos para saber a quantos andavam esses cursos, especialmente aqueles que precisavam de material técnico; uma pena que poucos tiveram a oportunidade de ver as condições de algumas salas do campi de Rolim de Moura. Enfim, uma pena que, como sociedade, ficamos tão alheios ao que ali acontecia.
Os poucos de nós que tivemos contato com essa realidade não sabíamos direito o que estava acontecendo. Por fim, nos restava pensar que o ensino universitário está mesmo abandonado pelo governo federal, que não repassa os recursos devidos para dar condições suficientes para o funcionamento da Instituição.
Agora, a greve de alunos e professores expõe as vísceras da UNIR e nos assustamos com o que ouvimos e lemos. Jovens alunos e alunas expõem claramente que não esperam solução a curto prazo, mas que não aceitam mais a direção do reitor, a quem acusam de ser o responsável pela má administração dessa Instituição Federal que nos é tão querida e importante.
Não é novidade que o reitor se defenda e procure negar as acusações, nem que alguns professores se coloquem em sua defesa, entretanto, é muito estranho que um senador da república seja identificado como seu protetor e o defenda com unhas e dentes como se fosse parte de seu mandato; é estranho que esse senador seja peça importante do governo federal, ou seja, se defende o reitor expõe a má atenção federal à UNIR e, se defende seu governo, expõe seu reitor à acusação de incompetência administrativa.
É estranho que a sociedade fique apática diante da greve como se essa fosse de uma empresa privada, formada por meia dúzia de abastados funcionários, e não a instituição mais importante de ensino superior que temos em nosso Estado.
Assim, seria interessante que os líderes políticos, religiosos, OAB e outros movimentos procurassem se inteirar um pouco mais do que está acontecendo para que haja uma resolução, a justiça seja feita e as aulas voltem ao normal para que o semestre não se perca.
De minha parte, como ex aluno, pai de aluna, pastor presbiteriano e presidente regional do PSOL, manifesto o apoio à greve e desejo que a melhor solução seja alcançada o mais rápido possível. A UNIR é nossa, portanto, é nosso dever lutar por ela.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A difícil arte de ser partido no mercado consumista da política brasileira

O pior dos mundos é aquele em que a realidade sufoca os sonhos e torna os indivíduos em entorpecidos e desesperançados. É como se um tsunami de depressão endógena varresse a sociedade e nos fizesse crer que a vida perdeu a cor.

Vivemos politicamente presos à realidade das eleições. Quando acaba uma, os projetos da outra já estão atrasados em relação à necessidade que uma campanha expõe. Com isso, candidatos, partidos, mídia e até a população se alimentam de uma agitação constante, de um jogo de interesses acachapante e de uma subserviência doentia pelo processo que impede de fazermos uma análise mais clara e mais responsável do que seria o melhor para vivência política da sociedade.

Há uma gama de líderes acastelados em seus partidos procurando mais espaços para si mesmos ou para seus aliados, outros desesperados pela exigüidade do tempo em procurar um partido que lhe dê o espaço que acredita merecer, além de outros novos tentando também alguma forma de aparecer sem serem apenas instrumentos para eleição de outros mais conhecidos ou mais poderosos financeiramente.

Com isso, não se discute mais ideologia partidária e valores que caracterizem as propostas (quando têm) de cada um dos partidos. Sem isso, não há política social, há apenas uma cama enorme, preparada para pessoas dispostas a tratarem de seus próprios interesses e projetos, tornando as alianças partidárias só um meio de chegar ao poder e cada um garantir seu quinhão de influência, chantagem e muitas vezes de corrupção.

O que fazer? Primeiro é tomar consciência do processo e tomar uma decisão clara do que se quer. Quem não deseja reproduzir isso que está aí, que se não se conforme e procure partidos com o máximo de coerência e responsabilidade ideológica.

Em segundo lugar, que faça filiação comprometida, com atuação partidária ideológica e, se preciso, com candidatura pautada em propostas claras, objetivas, coerentes e sem os comprometimentos com os sistemas econômicos e políticos que impedem o compromisso com a maioria da sociedade, especialmente com a transformação social que oportuniza os menos favorecidos. É preciso que isso seja feito de maneira livre, sem se submeter às exigências desse mercado eleitoreiro inconseqüente e irresponsável que tem transformado o Brasil num gueto de política clientelista e fisiologista.

Isso é possível? Sim. Aos que crêem que a depressão ideológica pode ser vencida e que fazem de suas idéias uma forma de propor vida de qualidade e justiça e não apenas mais um produto para esse mercado raso da política atual.

Aos vivos os sonhos. Aos mortos a sepultura.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Porto Velho em Crise Aguda

Há instantes que a vida exige que façamos uma avaliação séria do nosso contexto, pois só assim tomamos consciência da realidade em que estamos inseridos. O município de Porto Velho precisa ser avaliado pela sociedade civil organizada, propostas precisam ser feitas e novas atitudes administrativas precisam ser cobradas, sem se preocupar prioritariamente com quem são os responsáveis pela situação e sim com o que deve ser feito e por quem deve ser feito.

Precisamos urgentemente que pessoas envolvidas com causas específicas tragam dados claros a respeito destas e, após analisadas num coletivo, novas propostas sejam feitas e novas posturas sejam cobradas de quem de direito.

É fundamental saber exatamente o que está acontecendo com as obras inacabadas, como é o caso dos viadutos, pois, além das desconfianças quanto à segurança do projeto, além da demora excessiva de seu término, além da quantidade de dinheiro público neles empenhados, essas obras estão piorando em muito a situação já ruim de nosso trânsito.

A precária condição do transporte coletivo, a parca sinalização das ruas, a nulidade da polícia preventiva e educadora no trânsito têm tornado a movimentação na cidade uma batalha a cada dia. Se exige urgentemente que o poder público chame para si o seu papel de gestor e a sociedade precisa ajudar cobrando, sugerindo e assumindo posturas adequadas.

Não se pode se conformar com a falta de explicações claras e atitudes explicitadas quanto ao projeto de saneamento iniciado, incomodado e parado. Alguém tem de resolver isso urgentemente, pois não se pode viver numa capital sem saneamento e, principalmente, quando dinheiro público foi providenciado e a administração estadual não teve competência nem responsabilidade para executar.

A sociedade de modo geral precisa conhecer os números e explicações sobre as obras inacabadas da José Vieira Caula e sobre o as obras mal feitas da Av. Abunã. Quem de direito e dever tem a obrigação de cobrar e quem de direito e dever precisa explicar urgentemente.

Por último, se faz necessário conhecer também em números publicados de forma escrita quais foram os valores das prometidas compensações das malfadadas obras das usinas, onde estão investidas e quem são os responsáveis pelas execuções ou não dos projetos.

Portanto, se há estas e tantas outras questões a serem analisadas e carentes de serem explicadas, é necessário, independente de forças partidárias ou interesses individuais, de atitudes inconformadas, para que, então, cobremos e ajudemos a mudar a situação, pois mais do que uma questão administrativa, está envolvida a questão ética na política e na gestão dos bens públicos.
Que os insatisfeitos, os indignados e os conscientes se manifestem, se organizem e que possam ir às ruas, imprensa e órgãos públicos dizer o que estão vendo, sentindo e propondo.