sábado, 4 de setembro de 2010

Debate em alto nível

TENDÊNCIAS/DEBATES

Qualquer semelhança não é coincidência FREI BETTO


--------------------------------------------------------------------------------
Os programas de Dilma, Serra e Marina têm mais pontos em comum do que diferenças; a exceção é Plínio, que defende o socialismo
--------------------------------------------------------------------------------



O Brasil ainda tem muito a conquistar nos quesitos saúde, educação, saneamento, moradia, segurança e infraestrutura (rodovias, portos e aeroportos). É um gigante com pés de barro.
Contudo, nossa democracia se aprimora graças aos movimentos sociais, à mídia vigilante, à exigência de transparência e à adoção de leis como a Ficha Limpa.
Algo de novo marca a atual disputa presidencial. Os quatro candidatos com melhor posição nas pesquisas têm em comum muito mais do que julga nosso vão preconceito.
Nenhum deles vem das tradicionais oligarquias que se acostumaram a fazer na vida pública o que fazem na privada. Nem pertencem à elite brasileira ou nasceram em berço esplêndido. Os quatro se originaram na classe pobre ou média. Todos abominam a ditadura militar, o conservadorismo e tiveram na esquerda sua iniciação política.
Três foram vítimas da ditadura: Plínio (cassado e exilado); Serra (exilado) e Dilma (presa e torturada). Marina, alfabetizada aos 16 anos, sofreu a opressão do latifúndio amazônico. Filha do seringal e discípula de Chico Mendes, viu-se obrigada a se "exilar" da floresta para livrar-se da pobreza e da falta de escolaridade.
Os programas de Dilma, Serra e Marina têm mais pontos em comum do que diferenças. A exceção é Plínio, que não se envergonha de defender o socialismo. O PSOL vale-se do período eleitoral para divulgar suas propostas e se afirmar como partido. Isso oxigena o debate democrático.
Dilma, Serra e Marina se irmanam na arte de se equilibrar na corda bamba. Evitam tombar à esquerda ou à direita e adotam discurso que não desagrada nem a uma nem a outra.
Assim, a distância entre oposição e situação quase se anula e permite a Lula, que faz um bom governo, manter-se na confortável posição de quase unanimidade nacional. E a Henrique Meirelles despontar como o nosso Alan Greenspan, que ficou quase 20 anos à frente do Banco Central dos EUA.
Embora discurso de campanha seja como produto de feira livre -não passa recibo-, e os quatro candidatos apareçam envoltos numa aura de confiabilidade, o problema reside no andar de baixo.
Ao contrário do ditado, o andor é de barro, e não o santo. Dilma ou Serra terão de governar sob pressão dos últimos redutos da oligarquia, o PMDB e o DEM, alvos de frequentes denúncias de corrupção, nepotismo e outras maracutaias.
Marina, como já declarou, tentará suprir sua falta de alianças com um governo supostamente suprapartidário. O que, aliás, fez de fato o governo Lula, a ponto de merecer o apoio de Collor, Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Roberto Jefferson e José Roberto Arruda.
Plínio, realista, sabe que a chance presidencial do PSOL é ainda um projeto de futuro.
Algo de comum entre os quatro chama a atenção: o silêncio diante da corrupção que assola a política brasileira. Os quatro são éticos, fichas limpas. Mas Dilma, Serra ou Marina, quem for eleito, terá de quebrar ovos para fazer a omelete.
Ou fazer de conta que, neste reino tupiniquim, que não se parece com a Dinamarca, nada há de podre.
Quem vencer verá.

--------------------------------------------------------------------------------
CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, o Frei Betto, frade dominicano, é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de "Hotel Brasil - O Mistério das Cabeças Degoladas" (ed. Rocco), entre outros livros.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Índios entregam cartas ao presidente Lula

Lideranças indígenas de 16 comunidades de Mato Grosso do Sul cobraram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva agilidade na demarcação de terras e num trecho de uma de suas cartas escreveram o seguinte: “Senhor Presidente, por favor, não prometa nada, mande apenas demarcar nossas terras. O resto sabemos dos nossos direitos e vamos batalhar por eles. Já esperamos demais e toda nossa enorme paciência acabou. Só esperamos não precisar ir pelo mundo afora, no ONU e nos tribunais internacionais denunciar um governo em quem tanto esperamos...Não fazemos pedidos, exigimos direitos. Demarcação de nossas terras com urgência para que nosso povo volte a viver em paz, com felicidade e dignidade.” (Conselho da Aty Guasu Kaiowá Guarani - Comissão de Professores Indígenas Kaiowá Guarani).
Gostem ou não, os índios são os primeiros donos das terras brasileiras e precisam ser tratados com deferência nessa questão.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Campanha Política: uma perspectiva integral

Estamos no meio de uma campanha eleitoral e é impressionante a diferença entre as necessidades da população em geral e a expectativa de alguns grupos específicos.

Os grupos específicos, e os evangélicos são desses grupos, têm focos assumidos e é interessante que os tenhamos, mesmo porque são necessários e importantes para esse tempo. Contudo, há demandas gerais que precisam ser assumidas por todos e todas que lutam por justiça social e crêem que isso é feito em nome de Deus;

É preciso compreender a necessidade do fortalecimento da família como centro de prevenção de muitos dos problemas sociais; que a educação de qualidade é um direito fundamental mas precisa ser trabalhada de forma justa, no sentido de que todos precisam ter as mesmas condições, diminuindo as distâncias qualitativas entre educação pública e privada; que ecologia integral, ou seja, o ser humano em sua totalidade na relação responsável com o ambiente é hoje uma questão de sobrevivência da humaniodade; que saúde é direito de todos e dever do Estado e precisa receber prioridade governamental e constante fiscalização; que segurança também é direito de todos, precisa de valorização do seu efetivo pessoal, investimento e modernização; que cultura mantém vivas as comunidades e dá sentido de existência à vida de que ali vive; que esporte também é um dos principais meios de prevenção de problemas sociais e de desenvolvimento integral da infância e juventude; que não basta nos tornarmos um país rico, precisamos lutar por uma justa distribuição de rendas para que possamos dizer que realmente somos desenvolvidos.

Esses são alguns dos temas universais que todos precisam se interessar, lutar e investir, independente a qual grupo pertença, mas principalmente se clamam o nome de Deus como referencial. Portanto, continuemos lutando, mas lutemos pelo todo e não apenas pela parte que interessa ao grupo A ou B.

sábado, 7 de agosto de 2010

Resultados de Pesquisas Eleitorais Aluizio Vidal 500

A pesquisa do IBOPE apontou 5% de intenção de votos. Até agora temos pessoas falando e convidando outras para uma campanha diferente. Não tivemos panfletagem, nao temos dinheiro e não temos intenção de depender de nenhum figurão da política.
Agora já há boato de pesquisas internas de partidos trazendo 10%. Se for verdade a campanha tomará corpo bem mais rápido do que imaginamos e vários colegas estão organizando reuniões no interior do Estado a partir do dia 16.
Dia 14, faremos um internetaço a partir de 22h. A idéia é pedir voto para a sua lista de emails e seus contatos orkut, convidando-os para participarem do projeto tmb convidando as pessoas das listas deles ou delas.
Caso alguem queira, pode vir direto p o meu orkut, twitter@aluiziovidal ou blog www.aluiziovidal2010.blogspot.com

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pecuária Sustentável e Governo

"Para se ter uma pecuária sustentável na Amazônia, é necessária a atuação do Estado", diz Greenpeace - 26/07/2010

Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br


Thais Iervolino

O desenvolvimento irresponsável da pecuária não é só promovido pelo mercado, mas também pela ausência de governança e falta de aplicação das leis. Essa é a análise que Márcio Astrini, da Campanha Amazônia do Greenpeace, faz depois de um ano de lançamento do estudo "A Farra do Boi na Amazônia", que denunciou que a pecuária ilegal estava destruindo a floresta amazônica.

Em entrevista exclusiva ao Amazonia.org.br, Astrini explica quais foram os principais motivos para a elaboração do estudo, além de mostrar qual o processo de repercussão e desafios da atividade na região.

Confira a entrevista:

Amazonia.org.br - Qual a necessidade que vocês tiveram, há um ano, em lançar um relatório sobre a pecuária na Amazônia?

Márcio Astrini - O Greenpeace trabalha hoje no mundo inteiro com uma plataforma de campanha de combate ao aquecimento global. No caso do Brasil, o maior reduto de emissão é a pecuária na Amazônia.

O desmatamento é isoladamente o maior fator de emissão de gás estufa no país, e faz do Brasil o 4º emissor do mundo. Segundo os dados do próprio governo, a pecuária é responsável por 80% desse desmatamento que provoca essas emissões.

A necessidade está em um pensamento global de combate ao desmatamento no Brasil e de uma reorganização da forma de desenvolvimento da pecuária, porque a pecuária no molde atual propicia e alavanca o desmatamento na Amazônia. Foi isso que motivou a gente a lançar A Farra do Boi.

Amazonia.org.br - Qual é o balanço que você faz hoje sobre a pecuária, um ano após o lançamento do relatório A Farra do Boi?

Astrini - Quando a gente lança relatório de "campanhas de mercado", porque vincula as relações de mercado, como transações comerciais, sempre há uma primeira etapa, que é a negação, ou seja, os envolvidos na questão negam que o estudo seja verdade.

A segunda é a reação do setor que está sendo denunciado. O setor diz que vai nos processar porque o estudo refere-se a uma teoria de conspiração.

A terceira etapa é a do entendimento, quando as pessoas começam a perceber que o tipo de relatório que a gente faz mostra um problema explícito que obviamente causa uma comoção pública, mas que também oferece uma solução. Essa solução vem exatamente com a denúncia para a sociedade. É dizer: "olha, se você compra essa carne, você compra trabalho escravo". Ao dizer isso, você sensibiliza o mercado, você sensibiliza as pessoas e se tem uma injeção de ânimo e uma cobrança por mudança de comportamento, a ponto de o WallMart dizer "eu não quero colocar esse tipo de carne na minha prateleira".

O primeiro objetivo é criar essa mobilização pública. Criar essa mobilização de opinião pública, essa sensibilidade no mercado, principalmente nos grandes mercados corporativos. No caso os supermercados, empresas que compram couro, como Adidas, Nike, etc. Criada essa pressão, é preciso criar um mecanismo para mostrar uma saída. Então pontuamos seis itens e um sistema para respeitá-los. Os pontos são: não comprar mais de quem desmatou, não comprar em terras indígenas, trabalho escravo, áreas de conservação, áreas de conflito agrário, além de auditar as propriedades que vendem e mostrar o resultado disso em algo transparente.

Depois de assinado o acordo, eles vêm cumprindo as etapas, às vezes com um pouco mais de tempo, às vezes se tem uma falha em um critério - até porque os nossos governos não possuem informações para identificar quais fazendas promoveram conflitos e esse contexto exige a criação de outro mecanismo de controle do que apenas tomar simplesmente uma atitude.

De lá para cá as empresas que firmaram o acordo cadastraram todos os fornecedores na Amazônia, identificaram quem são eles, diagnosticaram 208 fazendas dentro de terras indígenas e unidades de conservação e 13 propriedades muito próximas a desmatamentos e já suspenderam a compra de carne dessas 221 fazendas, no total.

A mais importante mudança foi a de comportamento. Eles entenderam o recado principal, que a campanha conseguiu passar, que a questão ambiental não é um luxo dos ambientalistas, faz parte do negócio deles. Se não respeitarem a questão ambiental, eles enfraquecerão o próprio negócio.

É melhor você curar a doença do que ficar colocando a culpa no termômetro da febre. É preciso mudar a postura do que ficar brigando com o problema.

Amazonia.org.br - Como você vê a pecuária na Amazônia hoje? Quais os desafios que ainda precisam ser enfrentados?

Astrini - A atividade continua sendo predatória, com um algo risco ambiental, já que ela se desenvolve ocupando a floresta. O compromisso é o primeiro passo de mercado para frear o desenvolvimento que está acontecendo de maneira errada e que tem pouco espaço no mercado competitivo.

Agora, o compromisso do mercado tem os seus limites. Esse desenvolvimento irresponsável não é só promovido pelo mercado, é promovido pela ausência de governança, de aplicação das leis, falta da presença do Estado.

Por exemplo, se tem uma quantidade enorme de analfabetos funcionais no campo que não têm como adquirir ensinamentos sobre tecnologias para triplicar sua produção, para diminuir o desmatamento. Então há problemas sociais gravíssimos, de falta de governança, de ilegalidade e que o mercado tem um limite de atuação.

Então pegamos uma parte importante do setor, que é a financeira, e começamos a mobilizar. Só que isso é um nicho, para se ter todo um desenvolvimento modificado, é preciso que o governo se mobilize.

Nossa visão é que é um setor que movimenta bilhões ao ano, emprega muita gente, gera renda, ajuda na positividade da balança comercial. O governo deveria olhar para isso e investir na pecuária sustentável, da mesma forma que os frigoríficos que assinaram o acordo estão fazendo

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Analfabetismo

NOTICIA DO PAINEL POLÍTICO - ALAN ALEX
www.tudorondonia.com.br 22/07/2010
Levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que 20% do eleitorado brasileiro nunca frequentou a escola. Segundo a reportagem, ao todo são 27 milhões de eleitores nessa situação, dos quais 8 milhões são analfabetos e 19 milhões declararam saber ler e escrever, mas nunca estiveram numa sala de aula.
Perigo
Esses números são assustadores. São 27 milhões de eleitores que não conseguem formar opinião por conta própria. Mais um motivo para comemorar a aprovação da lei do Ficha Limpa.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Cada Sociedade tem a Campanha Política que Merece

aluiziovidal2010.blogspot.com
twitter.com/aluiziovidal

Começou mais uma campanha. Há muitos interesses, muito dinheiro, muita manipulação e pouquíssimo valor ideológico.

Seria necessário sabermos o que o candidato ou candidata pensa sobre ecologia, educação, saúde, relação do Brasil com outros países (no caso de quem se candidata a deputado federal ou ao senado), privatizações, reforma agrária, economia solidária, segurança, estrutura de família, aborto, papel da escola, organizações das cidades, transporte público, enfim, inúmeros assuntos.

Infelizmente nao são assim tratadas as campanhas. Alguns e algumas já sabemos o que pensam e outros e outras não temos a menor idéia (talvez nem eles e elas saibam). A população não se preocupa com isso. Para ela o que importa é quem aparece mais, quem tem maior tempo na televisão e quem negociou com governos mais emendas pa ra sua região em particular.

O resultado disso é uma campanha mesquinha em que o dinheiro e o marqueteiro têm mais importancia do que as idéias. Pessoas são eleitas para defender seus próprios patrimônios e empresas, outras para defender suas categorias de ricos e apenas algumas para defender um segmento. Essa ordem deveria ser o contrário.

Há muitas pessoas sem condições de fazer uma leitura crítica sobre isso, contudo, há também muitas com totais condições não só de fazer a leitura como também de multiplicá-la. Convido a quem quiser e puder para que se sinta parte desse processo através da internet.

Infelizmente, as campanhas são a expressão do nível de cidadania do brasileiro e os políticos o resultado desse processo. Assim, cada sociedade tem a campanha política que merece.

Gostaria de saber sua opinião sobre isso. A quem recebe por email gostaria de solicitar que enviasse para sua rede de emails e ca so nao queira receber outros emails meus, por favor, é só me dizer isso que o retiro da lista.